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HISTÓRIA

CIDADANIA

TERRITÓRIO

FRATERNIDADE

Fraternidade é uma escultura que mistura linguagens figurativas e abstratas, seguindo um estilo e técnica emblemáticas do seu autor.

 

Aqui podes aprender sobre esta inovadora escultura, sobre a sua construção e autor, bem como sobre o seu tema: o Poder Local Democrático no concelho de Almada.

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A OBRA

Sobre esta obra de arte pública, materiais utilizados e opções estéticas do autor.

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O TEMA

Sobre a fraternidade como tema desta escultura.

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O LOCAL

Sobre a localização da obra e o seu espaço envolvente.

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RECURSOS

Disponibilizamos materiais de apoio aos professores e bibliografia.

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O AUTOR

Sobre António Júlio, o autor deste monumento de Arte Pública.

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TESTA O QUE APRENDESTE

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A OBRA

A OBRA

Autor: António Júlio

Inauguração: 10-2000

Material: Aço inox, ferro pintado, pedras mármore polidas de duas cores contrastantes (branco e negro), calcários.

Dimensão: 3,65m x 1,81m

FRATERNIDADE

Fraternidade está situada num dos extremos do Parque Luís Sá, num espaço verde ajardinado delimitado por um acesso pedonal interior.

 

Trata-se do conjunto de três figuras antropomorfizadas (masculina, feminina e criança) emolduradas por pórtico de fechamento semicircular quebrado, sobre base circular.

A composição é de orientação vertical. As figuras constituem-se de modo fragmentário, através do empilhamento de elementos de pedra branca e cinzenta interligados por uma estrutura ferrosa de secção quadrangular pintada a preto. O pórtico é constituído por mármore em tons de cinzento e tubos de aço inox.

A base é composta por círculos concêntricos revestidos de pedra da calçada branca e negra, intercaladamente.

Combinam-se materiais com características diferenciadas, jogando com as suas cores, texturas e resistências.

 

O discurso formal do conjunto é identificativo da estética de António Júlio.

Sobre o seu método de trabalho, António Júlio diz algumas palavras que nos podem auxiliar na observação desta obra: «Trata-se de desenvolver uma estrutura encadeando formas e volumes, ocupando o espaço, evoluindo nessa estrutura que “se” vai definindo».

A sua reflexão estética anda muito em torno das relações entre as formas, de modo que se forme um equilíbrio e moderação perfeitos: «As formas e volumes que ora estruturamos a partir de relações naturais, ora desestruturamos, no sentido de as ordenar, adquirem relações, tornam-se interdependentes formando um todo que se pretende harmonioso».

Não se trata apenas do equilíbrio físico das leis da gravidade, mas também daquele que advém da relação de proporções.

Júlio reforça ainda bastante a necessidade de grande envolvimento percetivo, paciência, esforço e educação da sensibilidade plástica para que aquele último tipo de equilíbrio seja evidenciado: «só com trabalho perseverante, permanente e constante, libertamos o acessório e percebemos a essência exigida por cada forma/volume».

Torna-se assim possível perceber o quão importante é para a composição «sacrificar formas que perdem sentido evocativo», isto é, inúteis na composição; e, ao acrescentar elementos, «perceber até que ponto as restantes o admitem ou rejeitam».

No seu trabalho, tudo é ponderado para que se obtenha «um todo, uno e harmonioso, de tal modo que, acrescentando ou retirando um dos seus elementos ficará irremediavelmente mutilada» (AAVV:1999).

 

A base inclui, diametralmente opostas, duas placas de pedra com inscrições de identificação. Uma delas nomeia o jardim a que a escultura dá, por um dos seus extremos, entrada. Na outra, escreve-se: “À FRATERNIDADE / 15 ANOS DE PODER LOCAL / OUTUBRO 2000 / CÂMARA MUNICIPAL DE ALMADA / JUNTA DE FREGUESIA DO LARANJEIRO”. Acrescenta-se o símbolo heráldico da Junta de Freguesia do Laranjeiro.

Assinada e datada: “A Júlio 91 / 00”

 

Esta obra (em conjunto com Solidariedade, do mesmo autor e também no Laranjeiro) não foi realizada especificamente para o local onde foi implantada. A escultura existia em escala de maqueta e foi a convite da Junta de Freguesia que António Júlio concebe a mudança de escala visando a comemoração dos quinze anos da origem da Freguesia e a requalificação do jardim que recebia o nome de Luís Sá, personalidade também homenageada.

 

Em 2017 Fraternidade é reposta no jardim, de onde tinha sido retirada para restauro após ser alvo de atos de vandalismo.

Atualmente, a peça apresenta-se íntegra quanto ao seu estado de conservação

Fraternidade

Fotografia: Catarina Pé-Curto

O LOCAL

O LOCAL

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Aqui podes conhecer melhor a localização da obra e o seu espaço envolvente.

LARANJEIRO

A escultura localiza-se no Laranjeiro, mais concretamente no Parque Luís Sá. 

O topónimo Laranjeiro deriva da alcunha de um habitante local do século XVIII. Um dos seus descendentes foi proprietário de uma vinha na zona de Santo Amaro, e o seu nome ficou para sempre ligado a esse lugar.

Até ao século XX, tal como acontecia na maior parte do concelho de Almada, havia por aqui várias quintas, numa paisagem rural com poucos habitantes.

A urbanização do Laranjeiro foi provocada pelo aumento da população, devido à transferência do Arsenal da Marinha para a Quinta do Alfeite (1939), a instalação dos estaleiros da Lisnave em Cacilhas (1967) e, depois do 25 de Abril, com a necessidade de construir habitação para as pessoas que chegaram das ex-colónias portuguesas.

 

O crescimento populacional justificou a criação da freguesia do Laranjeiro, separada da Cova da Piedade, a 4 de outubro de 1985. Nessa década foi possível investir na qualificação urbana, tendo os jardins e a arte urbana um papel importante na valorização do espaço público.

Em 1997 o Laranjeiro recebeu a primeira obra de arte pública encomendada pelo município: a escultura  Solidariedade do escultor António Júlio, residente na freguesia e professor na Escola Básica nº 1. No ano 2000 foi a vez da peça evocativa da Fraternidade, também de António Júlio, colocada no “parque das merendas”. Esse parque foi então remodelado e passou a chamar-se Parque Luís Sá.

Luís Sá foi um importante político do Partido Comunista Português, membro da Assembleia da República e deputado do Parlamento Europeu. Foi também professor universitário e escreveu sobre Poder Local, entre outros temas. Em sua homenagem, Rogério Ribeiro e João Duarte conceberam uma peça que foi colocada no mesmo parque em 2003.

O Parque Luís Sá é um amplo espaço verde no meio da cidade, que tira partido da vegetação original, como pinheiros mansos, oliveiras ou sobreiros, mas também tem zonas relvadas e ajardinadas, bem como um parque infantil e outros espaços de lazer. 

Bem perto do Parque fica a Quinta de Santo Amaro, que é um exemplo das antigas quintas da região, com casas de habitação, adega, celeiro, poço e capela. Os edifícios foram adquiridos pela Câmara Municipal de Almada, que aí instalou o Centro Cultural e Juvenil de Santo Amaro, mais conhecido por Casa Amarela.

Parque Luís Sá

Fotografia: Catarina Pé-Curto

AUTOR

O AUTOR

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Aqui podes conhecer melhor o autor desta obra.

ANTÓNIO JÚLIO  /  ESCULTOR

A sua atividade artística abrange, além da escultura, o desenho e a serigrafia. No atelier do escultor são recorrentes as figuras fragmentadas e a junção de materiais pétreos e férreos. Os seus trabalhos académicos demonstram a descoberta do corpo humano como junção de volumes e formas. Do traço escolar, evolui no sentido da estilização geométrica da linha, até estabelecer o seu vocabulário próprio. O assunto das motivações plásticas da sua obra é desenvolvido no separador “A Obra”. De uma forma geral, o “estilo pessoal” de António Júlio é marcado pelo rigor e coesão das formas, por um processo de grande sobriedade e moderação e pela simplificação e síntese máximas, tendo em vista o equilíbrio. Apesar de se notar um foco acentuado na preocupação com a própria materialidade, a sua obra não está destituída de simbologia e significação. Os materiais escolhidos não o são meramente pelas soluções formais que oferecem, mas pelo seu contexto simbólico-sígnico. Escolhem-se «formas investidas de velhos códigos» (JÚLIO:1989). Com isto, Júlio refere-se por exemplo ao entendimento do metal como mais “modificador” e “acionador”; e da pedra como mais “firme”, “estabelecida” e “assente”. Além disso, alguns fios condutores conceptuais permeiam toda a sua obra, nomeadamente a associação entre a relação interdependente das formas e as relações de interdependência do Homem, que vê como

António Júlio Mendes Pereira frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde concluiu o curso de Escultura. A sua formação continuou entre 1969-1971 no atelier do arquiteto e pintor Nadir Afonso, de quem foi colaborador. Figura em exposições coletivas desde 1980 e em individuais a partir de 1995. Membro da IMARGEM – Associação dos Artistas Plásticos do Concelho de Almada, na qual foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Integra ainda diversos movimentos associativos artísticos no período pós-25 de Abril.

Exerce durante vários anos atividade docente como professor do Ensino Secundário na Escola Professor Ruy Luís Gomes. Paralelamente, enquanto militante do Partido Comunista Português, desenvolve carreia autárquica na Junta de Freguesia do Laranjeiro e Feijó, onde foi Vogal do executivo eleito pelas listas da CDU, chegando a assumir os pelouros da Educação, Informação, Comunicação e Publicidade. Ação cívica esta apenas interrompida por doença prolongada.

Morre no Laranjeiro, em Dezembro de 2015, deixando, nas palavras de Alexandre Castanheira: «o seu exemplo de vida, frontalidade e fidelidade aos ideais de Abril, na defesa dos valores da Educação, Cultura e do Ensino Artístico, do Associativismo e dos princípios de Cidadania» (Boletim Informativo, Câmara Municipal do Laranjeiro, nº4, Julho 2016).

 

Com uma obra extensa representada em colecções no país e no estrangeiro, é autor de menor número de esculturas públicas.

O concelho de Almada ostenta atualmente duas peças de António Júlio (Solidariedade, Laranjeiro, 1996-97; e Fraternidade), mas tinham sido três (Andrógeno, 1986, era uma escultura em tronco de árvore pintado que esteve no jardim público da Cova da Piedade).
 

FRATERNIDADE
E PODER LOCAL

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Aqui podes saber mais sobre a Fraternidade como tema desta escultura.

A FRATERNIDADE COMO VALOR ESTÉTICO

Fraternidade insere-se no conjunto obras com temas de cariz universalizante, cuja produção proliferou em Almada e das quais são também exemplo Solidariedade (António Júlio, 1996-1997), Fraternidade (António Júlio 1991-2000), Monumento à Vida (Sérgio Vicente, 1996-1998), e Monumento à Paz (José Aurélio, 2000). Esculturas como esta denotam o exacerbar da experiência democrática através de temáticas evocativas de causas maiores da humanidade, como a fraternidade.

Erguida – conforme menção na inscrição – no contexto celebratório dos quinze anos do Poder Local, contribui para a evocação de pressupostos ideológicos associados àquele poder ao tratar-se de um valor desejado no esforço por manutenção da qualidade de vida das comunidades. Além disso, assinala e valoriza um espaço verde do concelho, seguindo a intenção camarária de qualificação urbanística através da arte pública.

(àligação para página do poder local)

 

António Júlio concebe Fraternidade, nas suas palavras, «no sentido de perpetuar a interdependência do Homem». Procuremos seguir a sua linha de pensamento:

«com as três figuras sugeridas por elementos identificadores (…) pretende-se simbolizar a vida íntima da unidade familiar, (…) a harmonia que se deseja entre os homens e as sociedades».

«Com o arco, pretendemos simbolizar a tensão dinamizante de vontades desejadas pelos homens, quando conjugam as suas necessidades, de que a Revolução de Abril é exemplar – e o poder autárquico procura perpetuar».

«Os elementos verticais contribuem para acentuar o imperativo indispensável à conduta de um coletivo que se deseja unido em harmonia de vontades, determinação e firmeza».

Em suma, a interligação entre os volumes e personagens da sua escultura pretende evocar a interligação desejada entre os membros das comunidades, cujas vontades as chefias devem honrar.

 

Quanto aos materiais utilizados, «o metal é agente, princípio ativo, que modifica». A pintura a negro evoca a «grande escuridão geradora». A pedra acentua o simbolismo da solidez, firmeza e confiança, «indispensável à concretização de ideais em fraterna liberdade» (JÚLIO:2000).

 

A escultura expressa, assim, a faceta indispensável ao autor que é o “ser plural” – a reciprocidade de interesses e obrigações que o Homem deve ter vivendo em sociedade.

Nota-se a ausência de qualquer banalidade ou aleatoriedade na escolha de materiais e de composição das formas. Tudo é determinado obedecendo a processos e associações mentais específicas carregadas de significado.

PODER LOCAL Conceito O poder local é um dos três níveis de governação pública previstos na Constituição da República Portuguesa. É composto por autarquias locais, que se subdividem em municípios, de cujos órgãos são a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal; e as freguesias, de cujos órgãos são a Junta de Freguesia e a Assembleia de Freguesia. À ideia subjaz a suposição de que uma maior eficácia administrativa advém da existência de órgãos de poder próximos das populações, que analisem os interesses e problemas específicos das comunidades e possuam competências para dar resposta o mais informada e eficientemente possível. Esta noção de descentralização democrática ganha relevo pela primeira vez em Portugal na Constituição republicana de 1911. Porém, a expressão “poder local” é retomada na Constituição de 1976, ao abrir o título dedicado, na parte III (Organização do poder político), às autarquias locais. A Constituição de 1976, em reação ao profundo esvaziamento do conceito de autonomia local que se tinha verificado durante o Estado Novo, vem proclamar as autarquias locais como sendo um Poder com efetividade, isto é, mais do que meramente formal. Estado Novo Durante quase cinquenta anos as autarquias locais não passaram de meras extensões do Estado Central. Segundo a estruturação político-administrativa das autarquias locais que vigorou durante todo o Estado Novo, as autarquias eram, pela sua natureza jurídica e política, extensões locais do Ministério do Interior. As responsabilidades culturais das autarquias eram exercidas pelas Comissões Municipais de Arte e Arqueologia. As competências destas Comissões incluíam a redação de pareceres e sugestões, bem como a colaboração com os órgãos de administração central «na defesa dos interesses artísticos, progresso da cultura e da educação do gosto popular, exercendo as atribuições que a lei lhe conferir» (Diário do Governo - 1ª Série, Nº 303 - Suplemento de 31-12-1940: 1637. Artigo 114º). Assim, a encomenda de obras de arte pública obedecia a uma conceção propagandística e fortemente ideologizada do regime centralizada no SPN – Secretariado de Propaganda Nacional. Em Almada, o Estado Novo foi um tempo de acelerada industrialização, e de respostas ineficazes ao desregrado crescimento urbano, por sua vez consequência do fenómeno da migração e da mobilidade, associado ao carácter manufactureiro dos polos industriais almadenses. Pós-1974 Com o 25 de Abril de 1974 surge uma nova era do municipalismo, com legitimidade democrática, com competências e suporte financeiro (MOTA 1999:11). As eleições autárquicas de 1976 marcam o começo institucional de um novo modelo da administração local. As novas atribuições e competências das autarquias locais visariam «a prossecução de interesses próprios das populações respetivas» (Art. 237º da CRP). O Poder Local Democrático foi inicialmente, em todo o país, um movimento impulsionador de grandes avanços na salubridade e qualidade de vida, tendo-se dado grandes passos no controlo do processo de urbanização clandestina, promovendo-se políticas de infraestruturação e de saneamento. Paralelamente, o Poder Local inicia a encomenda de arte através dos órgãos municipais constituídos. Começam a introduzir-se elementos de arte urbana e de ressimbolização do território e assiste-se ao aparecimento de centenas de monumentos comemorativos. À necessidade de descentralização e democratização cultural alia-se o esforço de avivar e fortalecer a memória local. Sendo a autarquia a representante do concelho, é ela que tem o privilégio de ser a porta-voz e espera-se que utilize a arte como veículo de expressão pública de uma ideia de identidade coletiva Em Almada, a Revolução vai marcar o início de um processo de apagamento ou substituição dos símbolos do Estado Novo a par da regeneração monumental com novos símbolos da democracia. Substituem-se nomes de artérias conotados com a ditadura por novos nomes, conotados com a resistência antifascista ou evocativos dos valores e datas da Revolução. Erguem-se monumentos em homenagem à Revolução, mas também alguns a ela associados nos seus pressupostos e intencionalidade e alguns celebrando a gente operária e laboriosa, todos consagrando valores instituídos pela democracia. Além disso, o novo Poder Local, herdeiro de longos anos de desordem urbanística, procura emendar o que é possível, sendo uma das formas a disciplina do espaço público pela criação de objetos estéticos que clarificam, sinalizam e embelezam. As esculturas que se ergueram e produziram em Almada desde 1974 assentam num modelo de planeamento de encomendas que vai ao encontro das aspirações do Poder Local de promover a escultura urbana como veículo de afirmação dos valores das causas maiores da democracia. São oportunas as palavras de José Aurélio: «significar pela arte, a arte de administrar» (AURÉLIO:2001). É a autarquia que protagoniza a iniciativa, promoção, aquisição e gestão de obras de arte, na crescente autonomização democrática que adquire. Com operacionalidade para pôr em prática uma política cultural de aquisição, Almada torna-se exemplo de um consolidado “programa” de arte pública, contando com a estabilidade do seu executivo desde 1985 a 2017, o que permite o desenvolvimento de uma linha de autonomia ideológica contínua, bem como de uma rede de artistas e instituições culturais parceiras. Iniciativa Almada 2001 O ano de 2001 seria a data charneira na afirmação do processo de monumentalização política do Município. No contexto da comemoração dos 25 anos de uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril, o Poder Local Democrático, a Câmara Municipal de Almada decide, a partir da proposta do artista plástico José Aurélio, convidar onze artistas plásticos para assinalar com uma escultura cada uma das onze freguesias do concelho. A coordenação é assegurada por José Aurélio, que conta com a colaboração dos órgãos representantes das onze Juntas de Freguesia, cuja participação na elaboração do programa foi preponderante. A distribuição dos testemunhos escultóricos pelas freguesias afirmaria a descentralização, uma das qualidades trazidas pelo Poder Local. A criação de bases programáticas por Aurélio foi facilitada pela sua proximidade ao universo de criação; pelo entendimento da obra dos artistas envolvidos; e pela estreita relação que mantinha com a autarquia de modo a dar forma às causas que se pretendiam defender. A atribuição da freguesia ao escultor é realizada por sorteio, na mesma altura em que se seleciona e define os locais de implantação e os prazos de execução. Cada autor/escultor concebe uma obra que leva em conta a temática do Poder Local e ideologias a si afins e apresenta as suas ideias em maquete, sendo a sua integração urbana projetada com o apoio logístico das Juntas de Freguesia. Regista-se a desistência do escultor Lagoa Henriques, tendo sido executada para a freguesia a ele atribuída uma peça de José Aurélio, que passa a artista participante, além de coordenador e promotor do projeto. A cerimónia de inauguração das onze esculturas decorreu durante os dias 28 de Outubro e 4 de Novembro de 2001 num percurso marcado pela presença dos artistas, presidentes da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia, associações, colectividades, entidades culturais, autarcas e munícipes. As onze obras são: -As Asas de Ícaro (2001), Rogério Ribeiro - Laranjeiro -Simbiose (2001), João Duarte – Cova da Piedade -União (2001), Álvaro Carneiro – Charneca da Caparica -Sítio (2001), Virgínia Fróis – Feijó -Primeiro as Crianças (2001), Jorge Pé-Curto – Cacilhas -Nós e os Outros (2001), José Aurélio – Almada -Cativos Naturais (2001), Graça Costa Cabral – Caparica -Onda de Abril (2001), Zulmiro de Carvalho – Trafaria -Sem Título (2001), Fernando Conduto – Sobreda -Tocar o Sol (2001), Quintino Sebastião – Costa da Caparica -Liberdade, Democracia, Solidariedade (2001), Clara Meréres – Pragal Nos onze elementos escultóricos criados nota-se a opção temática por valores democráticos de que os eleitos se sentem defensores, e a apropriação de uma estética e de materiais marcadamente contemporâneos.

TEMA

​À DESCOBERTA DA ARTE PÚBLICA

HISTÓRIA

CIDADANIA

TERRITÓRIO

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