A LIBERDADE

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Aqui podes conhecer melhor aquela que é a protagonista desta obra de arte - a liberdade.

A LIBERDADE

Esta obra, evocativa dos 25 anos do 25 de Abril, inaugurada neste feriado, insere-se num contexto de influxo de encomendas de celebração dos valores de Abril por todo o território nacional. Trata-se de um dos monumentos que, no distrito de Setúbal, se associa à história de luta de um povo operário. Assim, consubstancia a vontade dos poderes públicos de preservação de testemunhos que se entendem essenciais à memória coletiva.

Uma visão de conjunto permite encontrar, não só no concelho, mas em todo o distrito, monumentos comemorativos do 25 de Abril, dos homens e mulheres resistentes antifascistas e do poder local. Em Almada contam-se, dentro destas temáticas, por exemplo, o Busto do Dr. Alberto Araújo (1974) e Os Perseguidos (1979), além do conjunto de 11 peças distribuídas pelas 11 freguesias do concelho, dedicadas exatamente ao Poder Local Democrático.

É interessante notar que Almada, onde se instalou uma importante estrutura industrial do Estado Novo, a Lisnave, e cuja população marcou presença indelével nos movimentos de oposição democrática ao regime de Salazar, veio a afirmar um programa coerente e sistemático de arte pública veiculadora de valores democráticos.

Curiosa é também a opção pela iconografia das mãos. Outras peças escultóricas apelativas de valores no mesmo campo ideológico representam também esta tão expressiva parte do corpo humano. É o caso do Monumento ao Trabalho (1993), junto à Avenida Bento Gonçalves, igualmente em Almada, da autoria de José Aurélio. Aqui, duas mãos surgem entrelaçadas, construídas também em chapas de aço corten, num gesto rico em força, dignidade e união.

Também Monumento aos Resistentes Antifascistas (1998), na rotunda do Fogueteiro, desta vez no concelho do Seixal e de gramática formal ligeiramente diferente e pontuado por bastante cor, se define por um grupo de mãos que se abre dinamicamente para fora.